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A minha visão de… Prometheus

**********AVISO: ESTE TEXTO CONTÉM SPOILERS**********

Confesso que fui assistir ao filme Prometheus, do diretor Ridley Scott, com muita expectativa, o que por si só já é um equívoco, eu sei; afinal, é melhor não ter expectativas e se surpreender, do que tê-las e se decepcionar.

Pois bem, não chego a dizer que me decepcionei com o filme, mas eu realmente esperava mais.

Caso já tenha visto o filme, ou não se importe em saber detalhes do filme, clique abaixo e continue lendo.
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A minha visão de… Xingu

Não diria que não gostei do filme Xingu, até achei bem interessante, porém eu esperava mais.

Considero que a história dos irmãos Villas-Bôas daria mais de um filme grandioso, com roteiros mais elaborados que contassem com mais detalhes o convívio deles com as tribos. Imagino que tudo o que aquelas pessoas viveram juntas poderia ser contato de forma mais extensa, com mais envolvimento dos personagens e desenvolvimento das histórias, construindo-se o que poderia ser uma verdadeira saga cinematográfica.

Entendo que essa não foi a proposta do filme dirigido por Cao Hamburguer e roteirizado por ele, Elena Soarez e Anna Muylaert; por isso, dentro do roteiro enxuto apresentado, posso dizer que, a meu ver, a história foi bem contada, pois prendeu minha atenção durante toda a projeção.

Incomodou-me um pouco o trabalho de maquiagem referente ao envelhecimento dos Villas-Bôas; entre o início do filme e seu ato final, em que se passam mais de 20 anos, vi pouquíssima diferença na caracterização dos atores, em especial no caso de Cláudio Villas-Bôas (achei um pouco melhor trabalhada no caso do Orlando).

E teve uma cena em particular que me chamou muito a atenção, na verdade um quadro em especial, que foi o close mostrando a expressão do cacique da primeira tribo contatada face a face por Oralndo e Cláudio. O que eu vi ali foi uma interpretação emocionante de movimentos de cabeça e olhos e expressão facial que mostrava de uma forma impressionante o que o cacique estaria pensando aquela hora, algo como: “e agora?”, “fudeu?”, “o que está acontecendo?”, “quem são esses?”, “devemos atacar ou não?” e, principalmente, “o que acontecerá daqui pra frente?”.

A minha visão de… “The Iron Lady”

O filme não me cativou, exceto pela belíssima interpretação de Meryl Streep, porém há um aspecto sobre o qual vale refletir.

O estado mental sob o qual se apresentada a protagonista do filme (não sei se Margaret Tatcher realmente está naquelas condições, mas estou com preguiça de pesquisar e não faz diferença pro meu argumento) é como um espelho que nos faz lembrar que um dia pode ser que venhamos a estar exatamente na mesma situação. A decadência das faculdades mentais é uma realidade para muitas pessoas e pode vir a acometer qualquer um de nós. Por exemplo, ninguém está completamente protegido da possibilidade de desenvolver no futuro uma doença degenerativa como o mal de Alzheimer. Tampouco estamos isentos de sofrer com a perda natural de capacidade cognitiva que pode acompanhar o passar dos anos.

E isso me deixa aterrorizado.

Acho que a degradação de minha capacidade de raciocinar claramente, de pensar livremente, de interagir coerentemente me preocupam mais do que a perda de qualquer outra habilidade que temos.

E, infelizmente, não há como negar que isso pode acontecer com qualquer um de nós.

A minha visão de… “Dois Coelhos”

Nesta sexta-feira, 20/01/2012, assisti à estreia do filme “Dois Coelhos“, com roteiro e direção de Afonso Poyart.

Antes de mais nada, duas observações. Primeiro, é com certa infelicidade que informo que a sessão de 16:15 do Cineart Minas Shopping estava extremamente vazia; contando comigo éramos apenas 10 pessoas, uma pena, pois gostaria que esse filme estreasse com um bom público (espero que no fim de semana mais pessoas se animem a assisti-lo). Por outro lado, como não foram poucas as vezes em que me irritei com a falta de educação do público nas salas de cinema, achei até bom a sala estar vazia.

Achei o filme ótimo, um roteiro bem desenvolvido e muito bem amarrado que prendeu a minha atenção desde a primeira cena até a última, com algumas reviravoltas interessantes e inesperadas. Uma história muito bem contada em que nós, expectadores, não tínhamos muito ideia do que viria a seguir, fato que, pra mim, é um dos grandes trunfos do filme, visto que raramente somos presenteados com um enredo que foge do lugar comum e da obviedade. Fui sem ter ideia do que se tratava o filme, e tive uma ótima surpresa com o que vi.

O ritmo do filme se mantém constante durante todo o tempo de projeção, a sensação que tive é que cada cena foi muito bem aproveitada, sem desperdícios e sem economias desnecessários, o que certamente contribui para o que escrevi no parágrafo acima.

Faço apenas duas ressalvas: alguns movimentos de imagem no estilo “câmera meio trêmula na mão” me incomodaram um pouco, embora esse elemento contribua para o clima da história; na verdade não é nada que prejudique o filme. A outra ressalva se refere à relação entre dois dos personagens do filme, que ficou, pra mim, meio mal explicada ao término do filme; mas, de novo, não é nada que cause muitos prejuízos.

Recomendo muito esse filme!

Algumas críticas sobre o filme:

Cinema em Cena

Cinema na Rede

Cineclick

Omelete

Jornal do Brasil

Getro

Curso: Teoria, linguagem e crítica cinematográfica

Começo hoje um curso de 1 semana ministrado por Pablo Villaça, crítico de cinema e editor do site Cinema em Cena.

Sou um completo leigo no assunto. Minha admiração pelo cinema é, pelo menos até hoje, apenas como um mero expectador. Espero com essa oportunidade aumentar meus conehcimentos de forma a ter ainda mais prazer ao assistir aos filmes que me agradam.

Como “dever de casa” inicial, antes mesmo de começar o curso, foi solicitado que elaborássemos um texto sobre um de dois filmes indicados. um deles é o ótimo “Cães de Aluguel” (Reservoir Dogs), do também ótimo diretor Quentin Tarantino (do qual sou fã). Claro que o texto não ficou lá essas coisas… mas aí vai (atenção: para quem não viu o filme, há spoilers).

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Filme: Cães de Aluguel (Reservoir Dogs) – Quentin Tarantino

 

Logo na primeira cena do filme é possível identificar certa “marca” do diretor: diálogos casuais sobre assuntos inusitados. Tais diálogos chegam a me lembrar a série “Seinfeld”, autopromovida como “série sobre o nada”, com diálogos despretensiosos; tal como essa cena inicial.

 

Interessante também, nesta primeira cena, ter a nítida impressão de que todos aqueles homens se conhecem há anos, que são grandes amigos de longa data, tal é a descontração com que conversam sobre a música “Like a virgin” ou sobre dar ou não gorjetas. Impressão que é logo desconstruída à medida que descobrimos que aqueles “grandes camaradas”, na verdade, mal se conhecem.

 

Curioso ter um personagem no filme que apenas “está lá”. Não sei bem o que pensar sobre a existência do “Mr. Blue”, sobre o motivo de haver um personagem aparentemente dispensável para a trama; fiquei me perguntando se não poderia ser um bando de 5 pessoas. Talvez esteja sendo exigente demais; pode ser que a presença do “Mr. Blue” se justifique apenas para a arquitetura do plano de assalto, não sendo necessária sua participação na trama.

 

Acho que o fato de não haver demora em revelar ao espectador a identidade do traidor é mais um ponto bem interessante do filme. Entendo que nem toda narrativa é favorecida pelo “elemento surpresa” que somente é descoberto no final da história. Em alguns casos isso funciona muito bem, sem dúvida. Todavia, em uma história com pouquíssimos personagens, cuja narrativa se concentra na mescla entre presente e flashbacks, esse recurso de eliminação do “final surpresa” foi bem vindo.

 

Dois trechos interligados que me despertaram certa emoção ao rever o filme desta vez foram o medo e a angústia experimentada pelo “Mr. Orange” ao saber que está à beira da morte, bem como a expressão demonstrada ao atirar na mulher que o baleou. Quase dava para sentir seu remorso em ter atirado na motorista, não sei se por autodefesa, afinal, ela atirou primeiro, ou se para preservar o disfarce, pois “Mr. White” poderia achar meio suspeito se ele não reagisse à altura após ser baleado.

 

E claro, as cenas finais. A cena dos tiros simultâneos entre “Mr. White”, Joe e “Nice guy Eddie” já é clássica, e “Mr. Pink”, após dizer algumas vezes que era o único se portanto como profissional naquela bagunça, fez jus a esse título, saiu do meio da briga dos outros e acabou se dando bem. Ótimo final!