Religioso culpa falta de orações por massacre em escola nos EUA

Alguns religiosos conseguem nos surpreender pela capacidade de falar atrocidades até mesmo (ou talvez principalmente) em momentos de tragédia.

Após o massacre na escola Sandy Hook, em Newtown, Connecticut, que matou 26 pessoas, dentre as quais 20 eram crianças com idades entre 6 e 7 anos, um cristão conservador chamado Bryan Fischer declarou em seu programa de rádio que Deus não teria protegido as vítimas porque as orações foram proibidas no sistema público de educação dos EUA. Segundo notícia do Huffington Post, eis algumas palavras dele (em tradução livre):

“A pergunta irá surgir, onde estava Deus? Eu achava que Deus se importava com as crianças pequenas. Deus protege as crianças. Onde estava Deus quando tudo isso aconteceu? Aqui está a resposta: Deus não irá onde não é querido.

Nós passamos 50 anos dizendo a Deus para sumir, dizendo a Deus que nós não o queremos em nossas escolas, nós não queremos rezar em nossas escolas, não queremos rezar antes dos jogos de football, não queremos rezar nas formaturas…

Em 1962 nós chutamos as orações de nossas escolas. Em 1963 chutamos a palavra de Deus das escolas. Em 1980 chutamos os 10 mandamentos das escolas. Chutamos Deus de nosso sistema público de educação. E eu acho que Deus diria a nós: ‘Ei, eu ficarei feliz em proteger as suas crianças, mas vocês têm que me convidar para voltar a seu mundo primeiro. Eu não vou a nenhum lugar onde não me querem. Eu sou um cavalheiro.’.”

E ele não foi o único. Mike Huckabee, ex-governador do Arkansas, fez declarações similares. Segundo Huckabee (em tradução livre):

“Nós perguntamos por que há violencia em nossas escolas, mas nós removemos Deus de nossas escolas. Deveríamos ficar tão surpresos que nossas escolas tenham se tornado um lugar de carnificinas?”

É bastante claro para mim os motivos que tornam importante que escolas públicas em uma democracia laica sejam locais religiosamente neutros, nos quais não haja a imposição de rituais de uma crença (no caso o cristianismo) a toda a comunidade que frequenta tal espaço (exemplo que deveria ser seguido pelo Brasil, diga-se de passagem). Por isso, fico incomodado com esse tipo de declaração estúpida vindo de pessoas que têm acesso a uma audiência considerável. Não duvido que eles realmente pensem dessa forma; não duvido que esses dois (e muitas outras pessoas, certamente) realmente acreditem que a divindade à qual prestam profunda reverência seja de tal forma psicopata e vingativa que em toda sua suposta onisciência e onipotência escolhe deixar que um maníaco invada uma escola pública e mate tantas pessoas, simplesmente porque seu saco não está sendo puxado diariamente.

Para mim, obviamente sequer faz sentido esse tipo de declaração. Sendo ateu, a própria noção de que algum deus pudesse, caso desejasse, intervir em tragédias já me soa absurda. Porém isso não é exclusividade de ateus e agnósticos. Muitos religiosos certamente concordariam comigo. Não é todo cristão, muçulmano, hindu, etc, que acredita que há uma mão celestial invisível que intervirá para evitar massacres, furacões, terremotos ou outro tipo de evento.

Todavia, não podemos desconsiderar que há muitas pessoas que pensam nessa mesma linha do Bryan Fischer e do Mike Huckabee, e como estes parecem ter acesso fácil a meios de comunicação para espalharem esse tipo de besteira, não me surpreenderia em nada que muitas vozes ecoem o que eles dizem e apoiem propostas que visem minar a separação entre religião e Estado, seja lá nos EUA, seja aqui no Brasil.

O que esses senhores fazem com declarações desse tipo é tentar criar um bode expiatório que leve a culpa por tragédias como essa, para assim tentar agregar apoiadores para suas pretensões teocráticas.

4 Respostas para “Religioso culpa falta de orações por massacre em escola nos EUA

  1. Sobre a tentativa de controle das armas:

    No estado atual das coisas, onde o Estado se demonstra a cada dia mais manipulador e desvinculado de seus cidadaos, nunca foi mais preemente aos cidadaos possuirem armas.

    Imagine uma mulher.
    Agora imagine tres figuras: a do marido, a do amante e a do estuprador.

    No inicio, o governo dos EUA tinha um relacionamento conjugal, de Uniao total com a moral, etica e unidade de interesses com sua populacao.

    Posteriormente esse comportamento decaiu completamente e de conjugal esse relacionamento se tornou prostituido. Lobbies, egoismos e ganancias transformaram a esposa em prostituta.

    Mais recentemente, tudo indica que o governo dos EUA esta querendo transformar essa relacao de uma relacao de prostitutos para uma relacao de um estupro criminoso (veja caso NDAA, Patriot Act e agora proibicao das armas).

    Primeiro ele tentara seduzir a ex-esposa que agora e uma prostituta decadente, qual seja, a populacao americana. Se nao conseguir, estuprara sua populacao.

    E nada melhor que desarma-la antes para comecar a realizar seus caprichos nada eticos ou legais.

  2. Pingback: Religioso culpa falta de orações por massacre em escola nos EUA » Bule Voador

  3. Uau, tem um pessoal na net que acha que se todo cidadão tivesse uma arma em casa, todas as criancinhas do colégio iam estar a salvo. Como se elas mesmas fossem sacar suas armas e matar o assassino. Que delírio!

    É o povo da pscicose anti-comunista, aliada a ultra direita conservadora católica, que prega a Bíblia numa mão e a arma na outra. Bem cristão.

    Sinceramente, a internet, nesses casos, causa um mal muito grande.

    • Pois , assim como tem gente que acha, como o comentarista anterior, que desarmar a populao, ou controlar o acesso a armas, seria um caminho trilhado por governos para secretamente subjulgar os cidados com os caprichos dos governantes.

      Ser que eles pensam que a corrupo, a m-gesto, as crises, devem ser resolvidas com cidados armados invadindo as sedes dos poderes executivo, legislativo e judicrio tomando o poder bala?

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