A babaquice de (alguns poucos) muçulmanos

Sim, babaquice.

Se você considera um pecado mortal qualquer representação de quem quer que seja, é bem simples: não faça. Mas seu direito acaba aí. Você não tem o direito de querer estender essa neura para os demais seres humanos do planeta. Principalmente se sua forma de protesto consiste em censura, cerceamento da liberdade de expressão e assassinato.

Pessoas foram mortas porque um bando de fanáticos ficou ofendidinho com uma porcaria de um filme de quinta categoria. Sério, eu estive meio por fora e achei que era algum filme que pudesse ter alguma projeção… mas aí vi trechos do filme que agora foram disponibilizados com legendas em português. E que porcaria! Parece um filme abaixo da linha do amadorismo. Qualquer ser humano sensato não iria dar a mínima atenção a algo assim. Porém, uns malucos que resolvem matar pessoas por causa de um filme não podem ser considerados sensato, não é mesmo?

Também não podem ser chamados de sensatos grupos de pessoas que propõem um convênio internacional para punir os insultos às religiões. A esses, vale lembrar as palavras de Bill Maher:

Os protestos chegaram ao Brasil, embora, felizmente e por enquanto, tenham sido pacíficos. Liberdade de expressão é justamente isso. Não gostou de algo? Vai protestar pacificamente. Grite, marche, chore, esperneie. Tudo isso é válido. E quem não gostar dos protestos, gritos e esperneios também pode se manifestar livremente. Tudo isso faz parte do jogo do direito à liberdade de expressão (indissociável, a meu ver, do dever de aceitar a liberdade de expressão do outro). Como bem escreveu Carlos Orsi:

Hoje vi nos jornais a foto de uma manifestação no Brasil contra o tal filme “A Inocência dos Muçulmanos”, onde havia um cartaz com os dizeres, Ofender 1,6 bilhão de pessoas é liberdade de expressão? Sobre isso, duas coisas.

Primeiro, respondendo à questão do manifestante: sim, é. Liberdade de expressão é a liberdade de dizer coisas que incomodam os outros. Dizer o que todo mundo quer ouvir não é liberdade de expressão, da mesma forma que ir onde os outros mandam não é liberdade de ir e vir. Dã.

Segundo, quem disse que há 1,6 bilhão de pessoas (o total estimado de muçulmanos no mundo) ofendidas? Há uma arrogância profunda que afeta líderes religiosos em geral, a presunção de falar em nome da comunidade dos fiéis. O que é uma enorme besteira.

Há aqueles que dirão: “Pra que provocar?  Pra que fazer um filme desse tipo? Pra que desenhar charges provocativas? Isso tudo não é extremamente desnecessários?”

Bom, em resposta a isso, deixo as palavras de Maryam Namazie, membro emérita da LiHS, publicadas em um texto no Amálgama:

O que é “desnecessário” são os assassinatos e o caos islamita.

Criticar o islã e o islamismo não é preconceituoso — a tese do preconceito é islamita, e foi engolida por aqueles que clamam por censura. Na verdade, na época em que nos encontramos, a crítica é uma necessidade histórica e desafio legítimo à inquisição contemporânea.

(…) livre expressão não é apenas para aqueles com os quais concordamos. E não esqueçamos que um filme ruim é apenas um filme ruim. O real problema a que se deve dar atenção é que islamismo e censura são respostas erradas.

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