A minha visão de… Prometheus

**********AVISO: ESTE TEXTO CONTÉM SPOILERS**********

Confesso que fui assistir ao filme Prometheus, do diretor Ridley Scott, com muita expectativa, o que por si só já é um equívoco, eu sei; afinal, é melhor não ter expectativas e se surpreender, do que tê-las e se decepcionar.

Pois bem, não chego a dizer que me decepcionei com o filme, mas eu realmente esperava mais.

Caso já tenha visto o filme, ou não se importe em saber detalhes do filme, clique abaixo e continue lendo.

Após o tempo necessário para digerir o filme, posso dizer que achei acertada a decisão de ambientar o filme no “mesmo universo ficcional” da quadrilogia Alien, embora sem ter uma ligação direta com ela. De início, logo após o término do filme, estranhei um pouco, pois eu achava que as histórias de Prometheus e dos dois primeiros Alien se passavam no mesmo ambiente, o que tornaria incompatível a cena da morte do Engenheiro ao fim de Prometheus com o cadáver fossilizado encontrado pelos tripulantes da Nostromo no Alien – o 8º passageiro. Mas depois de esclarecida a questão de não se tratar do mesmo planeta (informação esta garimpada na internet), meu estranhamento se foi.

Não tenho nada a criticar sobre a concepção visual do filme. Os efeitos impressionam sem serem exagerados, e tudo que vemos no filme parece fazer sentido dentro da história, desde a tecnologia disponível até o ambiente inóspito em que se passa a história. E o uso do 3D foi, na minha opinião, bem eficiente, valendo a pena assistí-lo dessa forma.

Agora passo aos problemas, que eu chamaria de incoerências internas do universo ficcional apresentado.

Primeiro eu gostaria de citar a estúpida atitude, tomada por um dos personagens e imediatamente seguida pelos outros, de se retirar o capacete ao constatar que a atmosfera dentro da nave alienígena era respirável (estupidez que não deixa de ser um clichê, pois ocorre em outros filmes de ficção científica). Lembrem-se que estamos falando de um grupo de cientistas! Que ideia imbecil é essa de achar que “o ar ser respirável” é motivo suficiente para retirar um capacete que te protege do ambiente externo? Pô, o pessoal está em um ambiente alienígena, no qual você não sabe que tipo de microorganismo pode existir em suspensão no ar ou na superfície do solo, é minimamente inteligente retirar os capacetes? E o pior é que nada na história justifica isso, posto que não haveria qualquer problema se os personagens tivessem que manter o capacete sempre que estivessem fora da nave; pelo contrário, a sensação claustrofóbica, importante para o clima de tensão em um filme desse tipo, seria potencializada.

Outra coisa que eu não engoli direito, foi a motivação alegada para a expedição. Encontrar meia dúzia de desenhos que indicavam a presença de seres de outros planetas visitando grupos humanos antigos somente poderia levar a um tipo de conclusão: civilizações antigas foram, em certo ponto da história humana, visitadas por seres de outro planeta. Pelos os elementos apresentados no filme, pareceu-me um salto lógico muito grande (e incoerente com a natureza científica das personagens) partir para a suposição de que tais seres queriam receber a nossa visita. Mas tudo bem, mesmo que eu aceite essa premissa, um absurdo ainda maior, pelo menos com os elementos que me foram apresentados na história, seria inferir que tais visitantes eram os criadores da vida na Terra (volto nesse ponto depois). Posso estar completamente enganado, e talvez esse tipo de dúvida seja esclarecida em provável(is) filme(s) futuro(s), mas o caminho que parece ter sido seguido foi: figuras de extraterrestres em partes diferentes do mundo -> ETs nos visitaram em algum ponto da história -> portanto, fomos criados por eles. A linha de raciocínio não faz sentido. Nós, que estamos assistindo ao filme, sabemos que foi isso mesmo; mas para os personagens que descobriram meia dúzia de figuras é um salto de raciocínio enorme. E, novamente, considero essa decisão de roteiro dispensável, pois o simples conhecimento de que existe uma outra civilização tecnológica no Universo (fato atestado pelas gravuras encontradas) já seria motivo suficiente para motivar uma expedição como aquela, sem a necessidade de inserir essa “busca por nossos criadores”. Claro que pode haver outras questões não abordadas no filme que levaram os pesquisadores à conclusão de que aqueles ETs visitantes desenhados por várias civilizações eram os criadores da vida na Terra.

Outra coisa que me incomodou foi a aparente ignorância do biólogo da equipe ao duvidar da alegação de que fomos criados pelos Engenheiros, que na visão dele iria contra “300 anos de darwinismo”. Se partimos da premissa que o sacrifício de um Engenheiro à beira de uma cachoeira permite que seu material genético seja a semente da vida na Terra (embora os personagens não conheçam os detalhes, no caso o sacrifício, ainda assim eles acreditam que os Engenheiros, de alguma forma, foram responsáveis por criar a vida na Terra), podemos postular que esse material genético inicial começou a se replicar e, a partir de então, esteve sujeito ao mecanismo da Teoria da Evolução que levou a vida na Terra à diversidade existente, com seres humanos, cachorros, gatos, canários, bactérias, etc. Assim, não haveria qualquer conflito com “300 anos de darwinismo”, posto que a Teoria da Evolução não versa sobre a origem da vida, mas sim sobre os mecanismos que levam à diversificação de espécies uma vez que a vida já existe. Mas considerando que esse mesmo biólogo não se opôs à retirada do capacete em um ambiente alienígena desconhecido (como criticado acima), e é o mesmo personagem que resolve “brincar” com umas coisas parecidas com serpentes que saem de um lodo negro como se fossem bichinhos de estimação, não me surpreende que não seja lá muito inteligente.

É importante dizer que não me incomoda tanto a aparente “falta de respostas”, pois acho que algumas questões podem (e devem) ser preenchidas com a nossa imaginação, hipóteses podem ser discutidas entre aqueles que viram o filme, interpretações podem ser propostas, etc. Além disso, é possível que uma (ou mais) sequência(s) sejam feitas para complementar esse universo ficcional. O que me incomodou mesmo foram, como tentei argumentar acima, algumas situações que eu achei incoerentes ou dispensáveis.

Ah, e apesar de alguns problemas, é sim um filme que merece ser visto, inclusive mais de uma vez.

2 Respostas para “A minha visão de… Prometheus

  1. Só pra constar, existe uma vertente científica que acredita na teoria da Panspermia… quem sabe se vc ler um pouco sobre ela, vai entender q a hrstória dos engenheiros não é tão inovadora assim

  2. Conheço a teoria da panspermia, já li um bocado sobre ela… na verdade seria uma explicação incompleta, uma vez que apenas mudaria de cenário a questão da origem da vida…

    De qualquer forma, obrigado pela visita,

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