A forma das críticas

Ultimamente tenho visto algumas discussões, e até desentendimentos, acerca do tom utilizado por algumas pessoas ao criticarem certos aspectos das religiões. Resolvi registrar alguns pensamentos sobre isso.

Antes de qualquer coisa quero deixar bem claro que considero que tudo e todos podem (e às vezes devem) ser criticados quando pertinente. Não acho que deva haver barreiras de proteção a nada e nem a ninguém, e obviamente que aí estão incluídos as religiões e os líderes religiosos, assim como também estão incluídos aqueles que não professam qualquer religião. Importante ressaltar, ainda, que se qualquer crítica é válida, também são válidas as “críticas às críticas”, as réplicas, as tréplicas, e assim por diante.

Isso posto, passo ao cerne central da minha opinião: a forma a ser utilizada.

Eu, particularmente, não tenho qualquer problema com sátiras, piadas, tiração de sarro e coisas do tipo; certamente algumas situações me incomodam um pouco, principalmente quando há alguns claros preconceitos implícitos (por exemplo, piadinhas de cunho homofóbico ou racista entre torcidas de futebol), mas estou bem longe de querer cercear a imbecilidade alheia.

Porém, há pessoas que ficam só nisso. Já não tenho mais qualquer paciência para aqueles que têm nas piadinhas e nos xingamentos o seu auge da capacidade de crítica. Não que eu ache que estes devam parar, só me dou ao direito de não ficar prestando a atenção (ou compartilhando efusivamente) nesse tipo de coisa que, convenhamos, talvez só prejudique ao invés de ajudar a busca por uma sociedade mais secularizada e por um Estado laico de fato, uma vez que pode acabar provocando ondas de reação raivosa por parte de setores religiosos, além de propiciar, por algum tipo de identificação de grupos, a “surdez” das pessoas religiosas para os argumentos daqueles que militam a favor da laicidade estatal e do secularismo. (claro que não posso dizer que nunca fiz isso, ou até que não faço de vez em quando, mas tenho procurado melhorar minha atuação nesse aspecto)

Embora possa ser até saudável uma ou outra piadinha feita com alguns dos absurdos propagados pelas religiões ou algumas atitudes e ideias de certos grupos ou líderes religiosos, ficar nisso demonstra, em minha opinião, apenas imaturidade e/ou falta de bons argumentos. No caso de xingamentos gratuitos então nem se fala; estes têm tanta profundidade e solidez quanto um pires de papel.

Se a intenção for abrir os olhos das pessoas para as falsidades forjadas ao longo dos anos pelas religiões, acredito que as sátiras e os xingamentos tenham tanta eficiência nessa tarefa quanto teriam se objetivassem “converter” um cruzeirense em atleticano (e vice-versa). Muito mais interessante é tentar argumentar de forma racional e lógica (mesmo que de forma ácida, sarcástica ou irônica, por exemplo), buscando despertar em quem nos está lendo aquela fagulha de dúvida que iniciou o processo de libertação das crenças religiosas pelo qual muitos de nós já passamos.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s