Reflexões na poesia do Pink Floyd #3

“Did you ever wonder why we had to run for shelter when the promise of a brave new world unfurled beneath a clear blue sky?”

Música: Goodbye Blue Sky

Álbum: The Wall

Ao olhar a história da humanidade, podemos ver claramente que estamos progredindo. Claro que há ainda muitas mazelas, pessoas paupérrimas completamente alheias aos “milagres da civilização”, muitas vezes vivendo não muito distante de poderosas elites, evidenciando uma das mais horríveis faces que uma sociedade pode apresentar: a desigualdade social extrema.

Porém, o mundo é um lugar melhor do que era há décadas ou séculos atrás. A expectativa média de vida da população mundial nunca foi tão alta, avanços científicos levam à descoberta de novos tratamentos para várias doenças, a tecnologia avança a passos largos, índices de criminalidade caem em certos locais do mundo (no Brasil, inclusive), populações derrubam ditadores, um admirável mundo novo se descortina a nossa frente já há algum tempo.

Ainda assim, não nos sentimos totalmente seguros.

Esforçamo-nos para construir muros cada vez mais altos, com cercas elétricas e sistemas de vigilância. Se é verdade que a violência urbana vem diminuindo, o mesmo não parece ocorrer com a sensação de segurança. Pessoas socialmente privilegiadas têm medo de assaltos e seqüestros, enquanto moradores de periferias e comunidades pobres têm que se preocupar com o poder paralelo do crime organizado ou os excessos das forças de segurança pública.

Se por um lado entendemos que os indivíduos devem ser responsáveis pelos seus atos, por outro impedimos por meio do poder repressivo do Estado que esses mesmos indivíduos tenham livre escolha sobre quais substâncias recreativas devem colocar para dentro de si, criando dessa forma as condições necessárias para o crescimento do poder de todo um aparato criminoso.

Tememos que insurreições vitoriosas se transformem em novas ditaduras ou em governos que, embora ditos democráticos, desrespeitem direitos humanos básicos sob o pretexto de adequação a crenças e superstições ultrapassadas.

Espantamo-nos com a truculência cotidiana de servidores do Estado que ao invés de garantirem a segurança da população (toda ela) têm servido como instrumento de repressão e agressão, nos moldes de práticas temerárias já vistas anteriormente em outros contextos políticos bem desagradáveis.

Corremos para abrigos, mesmo quando a promessa de um admirável mundo novo se descortina sobre o céu claro.

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