Parasitas do espaço público

Acabo de ver no R7 uma notícia bem interessante. Cheguei a ela lendo um texto de Isabella Ianelli publicado no site Papo de Homem.

Segundo a notícia, entrou em vigor no dia 26/12 do ano passado uma lei municípal em Novo Hamburgo-RS que proíbe a atuação de “guardadores de carros” em locai públicos, os famosos “flanelinhas”. De acordo com o portal de notícias, os suspeitos de estarem exercendo essa atividade, pegos em flagrante pela polícia, deverão ser encaminhados para projetos sociais da prefeitura, com o objetivo de encaminhá-los para um setor de busca de emprego. NO casod e recusa, a pessoa deverá responder pelo crime de exploração indevida da atividade nas vias públicas.

Não sei bem qual será a efetividade dessa lei, mas considero-a louvável e gostaria de vê-la reproduzida em outras cidades do país.

Primeiro, porque a rua é pública. Ninguém deveria tomar para si o “direito” (entre muitas aspas) de lotear parte das vagas de um determinado local público para extorquir as pessoas que querem estacionar naquele determinado local. E uso aqui a palavra extorquir baseado em minha experiência pessoal, em relatos de amigos e em reportagens frequentes na TV. Quase sempre não se trata de um simples pedido de uma “ajuda pro cafezinho”, mas sim de uma verdadeira cobrança, algumas vezes intimidatória, como se estivéssemos adentrando um estacionamento privado (claro que há exceções, já encontrei flanelinhas que não se importaram quando eu avisava que estava com o bolso vazio, mas estes são raros). Chega-se, muitas vezes, ao cúmulo de estipularem preço fixo para deixarmos o carro no meio da rua; 5 reais, 10 reais, 20 reais… é um verdadeiro absurdo.

Segundo, que não há qualquer garantia de segurança nesses casos. Seria muita ingenuidade pensar que um camarada que está tomando conta de uma porrada de carros iria arriscar a própria vida para abordar um eventual ladrão de carros e tentar impedir o roubo de um som ou mesmo do veículo. Pra que ele faria isso? Eu sei que eu jamais me arriscaria nem pelo meu próprio automóvel, muito menos pelo de outros. Dos males o menor. Se acontecesse algo assim, o máximo que o referido flanelinha poderia fazer é pedir desculpas e devolver o dinheiro do cara que teve o carro roubado (ele ainda teria no bolso a grana de dezenas de outros proprietários, portanto, não faria muita diferença), quem sabe avisar a polícia (isso se for um flanelinha muito gente boa).

O problema é que na maioria das cidades estamos sozinhos nessa. No texto que citei acima, Isabella Ianelli relata que:

“Não faz muito tempo, decidi ir à Pinacoteca do Estado de carro e fui abordada por um flanelinha de esquema profissional. Narrei o episódio neste texto. Ele me pediu um absurdo, e eu fechei a cara, falei um monte e tirei o carro de lá. Parei em um posto policial do outro lado da rua, a cerca de 100 metros do lugar. Expliquei a situação, enquanto os policiais nem me olhavam, distraídos com qualquer coisa que não fosse a minha história.

Disseram que não há o que fazer. Que eu poderia ir a uma delegacia fazer um Boletim de Ocorrência, que eles chamariam o indivíduo, que negaria tudo, seria solto e continuaria a agir.”

Claro que se alguém tem alguma experiência diferente dessa descrita acima, eu gostaria muito de ler.

Infelizmente, eu concordo com quem acha que não há muito o que fazer, pelo menos a curto prazo. A nossa imobilidade geral nos leva a uma acomodação que só nos afunda cada vez mais em “coisinhas irritantes” que tornam a experiência de sair de casa para nos divertir uma potencial fonte de preocupação ou aborrecimento.

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