De quem é a rua no Reveillon da Praça da Estação em BH?

Causam-me certa estranheza algumas decisões tomadas no manejo da coisa pública.

O Reveillon de Copacabana, provavelmente o mais mundialmente famoso do Brasil, tem uma expectativa de público por volta de 2 milhões de pessoas. Já passei algumas viradas de ano lá, e a festa faz jus à fama que tem. Pois bem, é uma festa aberta, à qual qualquer pessoa pode ter acesso, havendo apenas restrições relacionadas à circulação de veículos na região.

Da mesma forma, o Reveillon mais famoso da cidade de São Paulo, que ocorre na Avenida Paulista, deverá contar com a presença de cerca de 2 milhões de pessoas, e as restrições de acesso se referem apenas à circulação de veículos.

Foto do Reveillon 2010/2011. Reparem no cercadinho espremendo as pessoas. Pra quê?

Porém, em Belo Horizonte, na festa que ocorrerá na Praça da Estação*, com um público estimado em 100 mil pessoas (embora as notícias iniciais falassem em distribuição de 70 mil ingressos), além das necessárias restrições de circulação de veículos, será necessário adquirir ingressos para ter acesso ao local. Os ingressos começaram a ser distribuídos em troca de alimentos não perecíveis e fraldas, posteriormente doados a entidades assistenciais (hoje os organizadores informaram que a meta de doações foi atingida e que os ingressos continuarão a ser distribuídos até amanhã às 16h sem a necessidade de doações. Que coisa doida, eu achava que doações nunca fossem demais. Sei lá, acho que tem coisa por trás disso). A iniciativa até que é boa em um primeiro olhar, mas suscita uma dúvida (até porque não encontrei muitas informações sobre isso):

– Como será controlado o acesso de quem quiser participar da festa? Se há distribuição de ingressos, pressupõe-se que somente quem os possui poderá assistir aos shows na Praça da Estação.

– Haverá muretas e portões de acesso, como se fosse um evento em um local privado? (até agora só encontrei a informação genérica de que serão são sete entradas).

– Isso é realmente necessário em um evento desse tipo em um espaço público?

– Por que será que isso nunca foi necessário em uma festa mais antiga, tradicional e maior* do que o Reveillon da Praça da Estação? No ano passo ocorreu inclusive o fechamento dos acessos à festa a partir de um determinado horário, impedindo que novas pessoas participassem da festa, por ocorrer a “lotação” do evento (sério, não é esquisito falar em “lotação” em uma festa de rua?).

E não é só isso. Não, tem mais.

Segundo informações do G1, guarda-chuvas e “outros objetos que podem causar ferimentos” não serão permitidos (meio vago essa definição de “outros objetos”). Ou seja, leve aquela sua capa de chuva de plástico que vale R$ 1,99, pois com certeza se deixar pra adquirir uma lá haverá vários espertinhos vendendo essa porcaria por 10, 15 ou 20 reais.

Além disso, pessoas com camisas de times e torcidas organizadas não vão ter a entrada permitida. E embora eu não tenha conseguido confirmar a informação em outras fontes, um site informa que “não adiantará retirar a camisa no momento da entrada, pois também não será permitido o acesso sem camisa” (essa eu espero que seja mentira. Proibir a entrada de pessoas sem camisa? Em uma festa de rua?).

Tirem suas próprias conclusões.

Esse a Globo e seus tentáculos (como o site G1) nem citam que existe.

 *Ao contrário do que quer fazer parecer a todo-poderosa Rede Globo, há uma outra festa de rua de Reveillon em BH, que a citada emissora insiste em ignorar sem o menor pudor. O Reveillon da Lagoa da Pampulha está em sua 22ª edição e terá público estimado em 300 mil pessoas, e nunca foi necessária a “distribuição de ingressos”. O “problema” é que a festa na orla da Lagoa da Pampulha é organizada pela TV Alterosa, vinculada ao SBT, rival da orwelliana Rede Globo, por isso ocorre o silêncio.

2 Respostas para “De quem é a rua no Reveillon da Praça da Estação em BH?

  1. Olá, achei bastante pertinente seus comentários, realmente é uma festa de rua com características de festa paticular, cheia de regras questionáveis…
    Eu sou o autor do bog de onde você retirou a informação sobre não ser permitido o acesso sem camisa. Esta informação eu retirei de uma reportagem de um dos jornais da globo sobre a festa.
    Obrigado pela referencia

  2. Olá Mitchel, obrigado pelo elogio.

    E obrigado também por ter divulgado a informação sobre não ser permitida a entrada sem camisa, pois não a encontrei em outros sites de notícias. (ainda acho esquisitíssimo isso de não poder entrar sem camisa em uma festa de rua, que puritanismo!)

    Boa passagem de ano pra vc!

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