Orgulho de ser babaca?

A recente polêmica envolvendo a aprovação na Câmara de Vereadores de São Paulo da criação do “Dia do Orgulho Hétero”, de autoria do vereador Carlos Apolinário (DEM), me provocou asco, principalmente porque tal data seria criada para “conscientizar e estimular a população a resguardar a moral e os bons costumes“. Ora, como se a orientação sexual de alguém tivesse alguma coisa a ver com “moral e bons costumes”. Mas também, o que se poderia esperar de um deputado evangélico?

Vou apenas compartilhar algumas coisas que já li e vi por aí.

Primeiro, um trecho de um texto de Eli Vieira, publicado no início do ano:

“responder ao movimento gay falando em “orgulho hetero” e “heterofobia”, não é apenas ter valores diferentes dos meus ou ignorância, é perversidade e mal-disfarçada racionalização freudiana para uma forma de pensar animalesca, que corrobora com o “nós contra eles”, que não promove a integração necessária para o avanço da humanidade. Ter orgulho de ter um fenótipo privilegiado por razões históricas ou ter orgulho por ter nascido no lugar X e não no lugar Y não é diferente do comportamento de um cachorrinho que se apega a um osso velho e podre só porque foi a melhor porcaria que conseguiu. A gente tem que se orgulhar por realizações, ou para afirmar não se sentir diminuído por pertencer a uma categoria desfavorecida. (…) Se orgulhar do status quo é para aqueles seres limitados que nunca experimentaram a delícia que é ser diferente das pessoas que amamos.”

Destaco também uma conversa em vídeo da Meire Gomes e do Igor Santos (vulgos @meire_g e @uoleo), que pode perfeitamente ser transposta para o caso atual:

Destaco ainda o vídeo do Izaiaspcjr, que falou muito bem sobre o tema:

E um texto do Blog do Sakamoto, que toca bem na ferida. Destaco os trechos:

“(…) é claramente uma reação à crescente importância da Parada Gay e seus milhões, mas também ao debate sobre a garantia dos direitos fundamentais dos homossexuais – cada vez mais público, não graças a Deus.

(…) perigo representado por uma maioria (com direitos assegurados) que começa a se manifestar de forma organizada diante da luta de uma minoria por seus direitos, reivindicando dessa forma a manutenção do espaço que já é seu – conquistado por violência, a ferro, a fogo e na base da Inquisição. Mesmo que a conquista de direitos pela minoria não signifique redução de direitos da maioria mas, apenas, necessidade de mais tolerância por parte desta. Lembrando que “maioria” e “minoria” não são uma questão numérica, mas sim de quanto um grupo consegue efetivar sua cidadania.

Diante disso, só há algo a dizer: que vergonha de ser hétero.”

Concordo e sinto-me exatamente como o Sakamoto. E compartilho da irritação do Bernardo demonstrada no vídeo abaixo:

Por fim, deixo o recado da Daniela Halley. Fala Dani:

Ainda há tempo de pressionar o prefeito Gilberto Kassab a vetar essa lei cretina. Caso deseje contribuir para essa pressão, há abaixo-assinados disponíveis para isso:

http://atheis.me/DiaDoOrgulhoHetero (preferência para esta, motivos explicados no Blog “OrgulhoHeteroNão”

http://www.petitiononline.com/orhtnao/petition.html

Há também a opção de enviar emails diretos ao prefeito no endereço gabinetedoprefeito@prefeitura.sp.gov.br . Eu já cobri todas essas opções.

Por fim, pra quem quer saber um pouco a história do Dia do Orgulho LGBT, este sim legítimo, sugiro um texto do Luiz Henrique Coletto.

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