Com as cinzas vem a infantilidade

Acabou o carnaval. Aquele feriado do ano em que grande parte da população tende a perder o controle, deliberadamente, com o propósito de se divertir.

Nem vou entrar nesse assunto, pois não é meu objetivo. Quem me conhece sabe que não gosto de carnaval (e como é possivel ver neste link, há muita gente assim por aí), e por simples motivos: não gosto de multidão, não gosto de baderna, não gosto de música de carnaval, não gosto de sons em volumes absurdos, não gosto de pessoas excessivamente bêbadas (eu ia escrever alcoolizadas, mas perderia o impacto da palavra), geralmente provocando umas às outras, não gosto do complexo de adolescente que toma conta dos foliões.

Bom, mas eis que chega a tal “quarta-feira de cinzas”, época do ano em que grande parte das coisas começa realmente a funcionar (olha ela aí de novo). E junto com esse dia chegam as tais penitências da quaresma, tão comuns e queridas a alguns católicos (e talvez outros cristãos também, não tenho certeza).

Particularmente, eu acho toda essa coisa de penitência completamente patética. Sempre achei uma tremenda bobagem a “penitência” de não comer carne vermelha na sexta-feira dita santa, tanto que nunca me importei com isso (claro que estou sujeitos aos cardápios dos locais em que estiver almoçando, mas se eu tiver escolha, não fujo do meu bife ou minha costelinha de porco, embora eu não ache nenhum sacrifício comer uma bela refeição à base de bacalhau ou qualquer outro peixe). E se, para mim, é uma grande bobeira fazer “penitência” em um dia específico, imagine durante todo o período que separa as cinzas do dia do coelhinho traficante de chocolate.

E por que eu acho patético?

Primeiro porque mesmo quando ainda mantinha a ilusão de que existia um “fantasmão amorfo” criador de tudo o que há no universo, nunca me senti prepotente o suficiente para crer que tal entidade super-poderosa e super-fodástica estivesse preocupada com o que eu comesse, bebesse ou fizesse.

Segundo porque todo o papo (sério, eu já ouvi o quem vem a seguir) de que nesse período (ou apenas na tal sexta santa, versão mais comum) a carne vermelha representa o corpo do “semi-deus nascido de uma virgem, filho do fantasmão amorfo, que são a mesma pessoa (é… vai entender)” nunca me convenceu, nem mesmo quando era apenas uma criança inocente e crédula.

E por último, porque as pessoas que seguem esse costume (assim como muitos outros) nem param para pensar um minutinho sequer sobre essa tradição. Será que elas pensam que essa regra foi determinada pelo próprio deus (ou pelo semi-deus) em que acreditam? Me pergunto se faria alguma diferença se elas soubessem que, na verdade, tais restrições foram criadas pelos manda-chuvas de uma instituição religiosa nada confiável, corrupta, nefasta e perversa, por volta do ano 350 da Era Comum, e que, portanto, são tão mundanas quanto qualquer decisão que líderes políticos possam tomar em uma reunião a portas fechadas.

Na minha modesta opinião, infantilidade pura.

Infantil quem crê não só que existe um paizão super-poderoso, mas também que este está preocupado com o que um bando de símios pelados come, bebe ou faz durante 40 dias (aliás, durante o ano todo).

Infantil quem não só acredita em mitologias e contos-de-fadas de uma pessoa que é filho de um deus e nasceu de uma mulher virgem, mas também cai na anedota de que um pedaço de carne representa o corpo do tal semi-deus.

Infantil quem não questiona as tradições, por mais sem sentido que elas sejam, e aceitam como ovelhinhas bem comportadas os ditames despóticos determinados por uma casta de poderosos há quase 1700 anos.

9 Respostas para “Com as cinzas vem a infantilidade

  1. Pois é, também nunca me convenceram essas estórias, mas vivi muito tempo em família pseudo-católica e tive de fingir que acreditava por um bom tempo.
    Acho que a necessidade de aceitação é que leva as pessoas a agirem assim, mais do que o seu grau de burrice ou infantilidade.
    Quando aprendemos a nos valorizar, enquanto indivíduos e espécie, deixamos de querer ser queridos pelos outros o tempo todo (exceto as celebridades…).
    Faz parte da evolução humana superar essa fase, se nada der errado pelo caminho…

    Saudações ateias!

  2. Que você seja ateu, tudo bem. Mas criticar ferozmente, a ponto de ser agressivo, outras religiões, é ridículo.
    Fique com seu ateísmo pra você. Poupe a todos de seus comentários infames sobre a igreja católica ou qualquer outra.
    Cada pessoa sabe o que sua fé necessita – jejuar, pagar o dízimo, confessar, comungar, … Não será você a ter direito de julgar o que é correto ou não.
    Você deveria sim é rezar um pouco, para ver se se torna uma pessoa mais amena.
    Sinceramente espero que Deus te ilumine (e pode ter certeza que nominar Deus como “fantasmão amorfo” não o torna uma pessoa melhor).

  3. Era só o que faltava…

    O cara vem no meu blog e quer me dar conselhos sobre o que ou como escrever…

    Seguinte, Lui:

    Não tenho nenhum respeito especial por religiões ou crenças. Aliás, ideias em geral existem exatamente para serem criticadas, debatidas, revistas, argumentadas, contra-argumentadas. E não para ficarem sob redomas de vidro fortemente protegidas.

    Não, eu não fico com nada para mim. Não sei se vc conhece o conceito de “blog”, mas ele serve exatamente para que eu possa me expressar, neste caso por escrito, da forma que eu achar melhor.

    Não gostou? Sentiu-se ofendido? Um vídeo pra vc: http://www.youtube.com/watch?v=YKX8jYVgtMs

    E não, não pretendo rezar, pois já passei da fase de conversar com amigos imaginários.

  4. Heheheh! Pois é Alex… às vezes também me perguntava se até um simples “pum” é regido e observado por um deus…. aliás, melhor nem pensar muito nisso porque alguma seita por aí (que com certeza deve se considerar a “verdadeira”) deve ter alguma regra e ritual para fazer até este tipo de coisa…

    Bolam rituais dos mais esquisitos pelas mais estranhas motivações… essa quaresma é outra… mas como vc mesmo disse, acho que poucos ou ninguém para realmente para pensar “Hey… por que estou fazendo isso?” então a coisa se eterniza..

  5. Pois é, Eduardo.

    Não que esse tipo de superstição boba faça alguma diferença prática no meu dia a dia…

    Mas são tantas pessoas que abrem a boca pra falar com orgulho das privações auto-impostas nesses 40 dias, que é cada vez mais difícil apenas ouvir tudo calado e não questionar o quão absurdas são tais crenças…

  6. Vocês não sabem nem oque tão falando.Certo ta o Lui de Pedir que vc seja abençoado por Deus porque se vc é ateu isso é um problema,seu mais falar dar religião dos outros já é demais.Cada um tem direito de expressar seu jeito de ver a vida. Agr pf cada um respeite o que o outro Acredita ou deixa de acreditar néh

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