Série: De Saco Cheio do Mundo #2

Sabe quando você é visto como “vilão” simplesmente porque decidiu não abrir mão de um determinado direito?

Vamos lá. Neste post vou abordar aspectos bem simples sobre dois assunto intimamente relacionados: matemática e comércio.

Primeiro a matemática, com um exemplo simples e corriqueiro: 10,00 – 7,68 = 2,32. Ok? Concordamos, né?

Agora o comércio: se eu faço uma compra que custa R$ 7,68, tenho várias opções de pagamento. Posso utilizar um cartão. Posso ter o dinheiro trocado. Posso dar R$ 10,00 e esperar meu troco. E nesse momento que pode acontecer a merda.

Nem sempre estou disposto a usar meu cartão. Direito meu e ponto final. E quase sempre apenas tenho notas de 5, 10 ou 20 reais para fazer minhas compras diárias no mercado (geralmente algum lanche para o meio da tarde), e várias vezes a conta fica algo parecido com o citado acima. Alguns ainda fazem a perguntinha “posso ficar te devendo 2 centavos?”, mas constantemente nem se dão mais ao trabalho de perguntar.

Eis que, de vez em quando, me dá vontade de solicitar meu troco integral… pronto! Virei automaticamente vilão da história. Tanto aos olhos da pessoa que opera o caixa, como daquela responsável por correr atrás das raras moedinhas, como, principalmente, dos demais consumidores da fila.

Um parêntese: não que eu precise de dois centavos ou que eles vão fazer falta para mim. Mas não vejo motivos que me levem a querer encher os cofres dos estabelecimentos com um dinheiro que não é deles (faça as contas do número de “centavos” por dia que deve ficar por lá).

Voltando. Então lá estou eu, simplesmente solicitando um direito meu, e os outros consumidores que têm esse mesmo direito, não só se contentam em “virar os olhos”, “dar uma bufada”, “murmurar algum palavrão”, mas também se sentem no direito de questionar ativamente a minha atitude.

Direito é direito. Não me importa muito a dificuldade de se arrumar moedas de 1 centavo, tampouco o tamanho da fila, e nem a pressa dos outros consumidores. O mesmo direito que eu tenho de querer um troco correto, eles também têm. Assim como eu teria o dever de esperar na fila se fosse outra pessoa no meu lugar, cabe aos outros compradores entender que nem todo mundo se satisfaz com uma rotina automática de desrespeito a direitos.

Oras, só porque eu não quero abrir mão de uma quantia (irrisória, mas é minha) que ficaria indevidamente em um estabelecimento, devo ser hostilizado?

E olha que logo acima eu escrevi  “de vez em quando”, mas só de implicância com esse tipo de atitude babaca dos apressadinhos, estou pensando seriamente em exigir meu troco integral todas as vezes em que fizer alguma compra com dinheiro. Por que não deveria?

Uma resposta para “Série: De Saco Cheio do Mundo #2

  1. Você não está errado. O problema está com o supermercado que não se preocupa em disponibilizar o troco correto. E daqueles da fila que não sabem (ou não têm capacidade, devido ao processo de alienação em que estão inseridos) raciocinar isso, que a culpa não é do consumidor, mas do estabelecimento.

    Eu já me rendi, não reclamo mais. Sozinho é difícil protestar ativamente contra algo que esteja errado. Logo, me chamam de boçal, besta e etc…

    Às vezes, nesses casos o troco é me dado pra mais. Isto é, se o troco é 2,32, dão me 2,35. Mas, essas pequenas coisas irritam a nós que somos esclarecidos e conscientes de nossos direitos e obrigações.

    O problema é a falta de educação das pessoas que culmina com falta de respeito ao seu próximo. As pessoas estão sendo estupidificadas pelo sistema e mídia, não há mais educação sólida nos núcleos familiares e a metodologia de educação formal, ao invés de ter a finalidade de formar seres humanos civilizados, tem como único objetivo formar mão de obra para o capitalismo.

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