Crenças absurdas

Um dia eu ainda vou conseguir entender o esforço que as pessoas fazem dentro da própria cabeça para aceitar certos absurdos.

Se eu disser que tenho uma anomalia na visão que me permite enxergar dentro do corpo das pessoas (é, estou falando de visão de raixo-x), acho que provavelmente poucas pessoas acreditarão em mim (sempre haverá um para cair na conversa).

Todavia, grande parte das pessoas que conheço acreditam na historinha do cara que é filho de um deus (que na verdade é ele mesmo!), nascido de uma mulher virgem (que quando morreu “subiu aos céus” de corpo e tudo), que ressucitou após 3 dias morto (nunca entendi essa conta. Se ele morreu na sexta da paixão, como diz a mitologia, e ressucitou no domingo de páscoa, isso dá 3 dias???). O cara ainda andou sobre as águas, acalmou uma tempestade, tranformou água em vinho, multiplicou e dividiu 5 pães e 3 peixes  para uma porrada de pessoas (ou foram 5 peixes e 3 pães? Ah, tanto faz, é absurdo do mesmo jeito). E tudo isso baseado em quê? 4 livros cheios de contradições, escritos décadas depois da suposta morte do suposto cara. E só.

tem aqueles também que juram de pé junto que estamos rodeados de espíritos “desencarnados”, que quando morremos nossa alma fica passeando por aqui, ou vai pra um outro lugar no tal “plano espiritual” esperando “reencarnar” para viver uma próxima vida. Tudo isso baseado em quê? Um conjunto de livros escritos supostamente sobre orientação de alguns desses espíritos. Pô, vou começar a frequentar alguns CAPS, compilar todos os delírios de esquizofrênicos e escrever uma séries de livros fundando uma nova religião (ou doutrina, como alguns gostam de falar).

Não vou nem falar dos malucos que resolvem se explodir, e o pior: levar outros juntos, na esperança de viver a “eternidade” em um paraíso, rodeado de 72 virgens disponíveis para o próprio prazer.

Tem também o pessoal que insiste em dizer que a posição aparente dos astros no céu (as constelações, que podem ter praticamente qualquer configuração que desejemos) na época do nosso nascimento é capaz de influenciar não só nossas personalidades, mas também o nosso futuro!

Não posso me esquecer dos que acreditam no poder de um maço de cartas de baralho em prever o futuro da pessoa. E nem precisa ser baralho de tarô, alguns até acham que um baralho comum substitui bem.

E assim posso continuar por páginas e páginas. O que me incomoda é que parece ser quase “obrigatório” acreditar que haja “algo além”, que eu tenho que “abrir a minha cabeça”, que não dá pra ser tão “descrente”. Sério. Convivo com gente que parece se sentir ofendida simplesmente por eu não acreditar em alguns contos de fadas, mesmo que eu não discuta sobre eles, mesmo que eu apenas me limite a dizer que não acredito em tal coisa.

Oras, quando alguém me apresentar argumentos sólidos, convincentes, reproduzíveis, revisados, consolidados, não contraditórios sobre determinado assunto, aí sim posso concluir sobre a veracidade de um determinado fato.

Caso contrário, continuo bem feliz com meu ceticismo e com a minha “mania” de não aceitar qualquer bobagem como verdadeira. Minha inteligência merece um pouco mais do que achismos e relatos anedóticos.

2 Respostas para “Crenças absurdas

  1. Somos 2, Alex.

    Eu não sei se rio ou se choro quando percebo, inclusive, que tenho amigos que acreditam nessas historinhas ridículas.

    Abraços

  2. Somos 3, Alex.

    É engraçado que céticos são conhecidos como “gente que não acredita em nada”, mas se for pra acreditar em tanta besteira nem minimamente plausível prefiro não acreditar “em nada” mesmo.

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