Há 65 anos

Mês passado completaram-se 65 anos das duas únicas vezes em que armas nucleares foram utilizadas com fins bélicos.

Refiro-me ao lançamento de duas bombas atômicas no Japão (uma em Hiroshima e outra em Nagasaki) pelos E.U.A.

O que me motivou a compartilhar isso aqui foram dois pequenos posts de Pablo Villaça em seu blog Diário de Bordo.

No primeiro post, intitulado “Hiroshima e Nagasaki, um crime premeditado“, Pablo Villaça comenta dois aspectos do ataque que ele leu no livro “O Último Trem de Hiroshima”, de Charles Pellegrino. São eles:

1) Como já haviam conquistado Iwo Jima, os militares norte-americanos estavam usando aquela base aérea para o lançamento de investidas com bombas incendiárias sobre várias cidades japonesas. No entanto, eles misteriosamente pouparam Hiroshima e Nagasaki de todos os bombardeios. Bondade? Não: estavam guardando as duas para a bomba atômica, já que queriam lançá-la sobre uma cidade ainda intacta a fim de melhor avaliarem os resultados da destruição.

2) Todos os dias, três ou quatro aviões dos EUA sobrevoavam Hiroshima com dois objetivos: a) tirar fotos da cidade para compararem posteriormente com a cidade já destroçada; e b) levarem a população e a defesa anti-aérea a se acostumarem com a presença das aeronaves para que, assim, todos fossem pegos completamente de surpresa quando o ataque finalmente acontecesse.

Assim como relata Pablo, esse tipo de informações somadas à própria imagem do lançamento das bombas e dos resultados destas me reviram o estômago. Cabe lembrar que àquela altura a guerra já estava praticamente vencida e o ataque vitimou, principalmente, civis, homens, mulheres, crianças, idosos, que pouco tinham a ver com a guerra de seus países.

O segundo post, cujo título é “Gen Pés Descalços“, refere-se a um mangá de mesmo nome e que gerou um anime, que Pablo relata ter assistido pela primeira vez em meados dos anos 80. Nesse post, ele compartilha um trecho do desenho que mostra a sequência de destruição causada pela bomba.

Antes do vídeo, Pablo Villaça termina o post com uma advertência: “ATENÇÃO: É MUITO, MUITO, MUITO FORTE. PENSE BEM ANTES DE ASSISTIR. MESMO.”

Concordo com ele. Principalmente se você for como eu, uma pessoa com uma imaginação incrível que é capaz de assistir um desenho desses como se fosse um filme, ou seja, não vejo desenhos e cores vivas ao assistir algo assim. O que eu vejo são prédios, árvores, ruas, casas, pessoas. Sim, eu traduzo os desenhos como se real fossem, e isso me causa um impacto enorme.

Some-se a isso que eu fiquei a cada momento me imaginando lá. Mesmo.

Eu não estava imaginando como seria ser “Gen Pés Descalços” em Hiroshima no dia 6 de agosto de 1945. Eu estava imaginando como seria ser Alex Rodrigues do Nascimento em Hiroshima em 6 de agosto de 1945. E como seria se isso voltasse a acontecer.

Fica a esperança de que cenas como essas fiquem apenas como mais uma mancha no passado da brevíssima história do Homo sapiens sobre esse pequeno planeta.

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Por fim, desconheço qualquer retratação ou pedido de desculpas que algum governo dos E.U.A tenha feito por ter planejado e realizado esse estúpido e perverso, não só ao Japão, mas a toda a humanidade.

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4 Respostas para “Há 65 anos

  1. hey , alex😀

    bem, não querendo justificar um sem-nome que foi esse atentado, gostaria de só comentar o que muitos historiadores de boteco (eu!) costumam diz sobre ele.

    muitos preferem interpretar o ataque atomico às cidades japonesas menos como o fim da segunda guerra mundial e mais como o Inicio da guerra fria. nesse sentido, o EUA, já ciente do poder da antiga União Soviética não queria apenas destruir e humilhar uma nação, não.

    tava ja mandando um recado bem claro pra que todo o mundo entendesse quem é que mandaria na porra toda dali pra frente.

    mas, depois do q vc escreveu, eu nem sei pq ainda nos esforçamos pra tentar entender tamanha desgraça.

  2. Olá, Rayssa.

    Pra ser bem sincero, pouco me importa o motivo dos EUA.
    Se era pra acabar com a guerra, se era pra evitar mais mortes de militares aliados, se era pra mandar um puta recado pro resto do mundo, em especial a URSS… Don’t care… Não faz diferença agora.

    Foi uma atrocidade terrível, e para ela não há qualquer justificativa. Assim como, por exemplo, os ataques de nove anos atrás ao WTC (Acabei de assistir o documentário “102 minutos que mudaram o mundo”, e acabei me imaginando lá).

    Fiquei pensando: É tão revoltante assistir imagens de pessoas pulando desesperadas do WTC, vozes desesperadas nos tel celulares, imaginar pessoas presas nos escombros… é triste… e foram por volta de 3mil mortos. Imagens que não devem ser esquecidas.

    Comparemos com Hiroshima e Nagasaki… imaginemos esse terror para mais de 200mil pessoas…

    Putz, melhor parar, do contrário acabo não dormindo.

    Abraço

  3. Se o ataque as cidades japonesas foram um aviso sobre quem deveria mandar no mundo, os ataques ao WTC foi uma resposta de que nem o mais poderoso país do mundo esta com o “corpo fechado”
    ambos patéticos, ridículos ao menos do nosso ponto de vista. Provavelmente os mandatários dos dois ficaram orgulhosos com os resultados. É amigos, são os mistérios da mente humana.

  4. Pingback: Esta semana, no BuleVoador « No Lado Escuro da Lua

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