Há limites para o humor?

Há limites para o humor?

É apenas uma questão de gosto (ou mau gosto)?

Ou devemos realmente tomar cuidado com a ideias que difundimos por meio de “piadas que teriam bem mais graça se não fossem o retrato da nossa ignorância transmitindo a discriminação desde a infância”?

Conheço pouquíssimas pessoas que hoje admitem ouvir uma piada com conteúdo discriminatório direcionadas aos negros e não se sentem incomodadas.

Começa a rarear também piadas sexistas, de repente passaram a não ter mais graça. Que bom. Aquela babaquice de “esquentar a barriga no fogão e esfriar no tanque” já é (quase) passado.

Todavia, ainda reside nas cabeças humorísticas anedotas que têm por objetivo a ridicularização do comportamento homossexual. E isso, infelizmente, não tem diminuído, pelo menos não tenho percebido isso acontecer ao meu redor e nem nas poucas vezes em que arrisco ligar a TV.

Até que ponto é apenas um brincadeira inocente? E até que ponto não passa de mais uma imbecil forma de discriminação?

Fora as piadas, há também os “xingamentos”. O que há por trás da vinculação de uma determinada torcida de futebol aos homossexuais? O que há por trás da crítica em relação à suposta homossexualidade de um determinado jogador de futebol, ou político, ou artista, ou grupo populacional?

É apenas uma “brincadeira”? E se for, por que a homoafetividade seria motivos para brincadeiras? Há algo de ridículo, engraçado, reprovável em ser homossexual?

Incomoda-me ver que esse tipo de coisa está tão disseminada na sociedade que até as crianças, que geralmente são livres desse tipo de idiotice, começam muito cedo a repetirem essas ditas “brincadeiras”. E, para mim, não há dúvidas que “o que as crianças aprendem brincando é nada mais nada menos do que a estupidez se propagando”.

Causa-me certo desapontamento ouvir tal espécie de palhaçada vindo de pessoas inteligentes, informadas e que, algumas vezes, até têm um ou outro amigo(a) homossexual, mas não percebe que nem todo mundo se sente à vontade ao ser motivo de chacota.

Entretanto, há esperança. Pelo menos é como eu gosto de pensar.

Há alguns dias fui em uma festa junina na escola da minha sobrinha. A turma dela ( 2º ano do ensino fundamental, idade média 7/8 anos) aparentemente possui mais meninos do que meninas, de forma que a quadrilha foi formada por 2 ou 3 pares de meninos dançando juntos. E, ao menos até onde pude perceber, não houve sinais de descontentamento dos pais. Nesse momento lembrei das quadrilhas das minhas escolas, nas quais os meninos que não tinham par simplesmente não participavam, enquanto era realtivamente normal haver alguns pares de meninas dançando juntas, inclusive com algumas vestidas de “mocinho”.

Pode ser que todo esse relato não valha de nada. Afinal, é apenas um texto com algumas reflexões pessoais. Porém, meu principal objetivo com essa ladainha toda é instigar a discussão.

Há limites para o humor?

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s