Um ateu e o natal

Nesta semana a grande maioria da nossa sociedade comemora o natal. Mas o que, exatamente, comemora-se em 25 de dezembro?

Devemos comemorar o suposto nascimento de Jesus Cristo? Ou de Dionísio? Ou de Hórus? Ou de Krishna? Ou de Mithras? Todos esses, segundo suas tradições (cristã, grega, egípcia, hindu, persa) teriam nascido de uma virgem (essa parte do nscimento de uma virgem é quase engraçada)  nessa data (http://pt.wikipedia.org/wiki/25_de_dezembro). Data que pode ter sido escolhida, em cada caso, por estar próxima ao solstício de inverno no hemisfério norte, época do ano que foi utilizada, ao longo do tempo, para comemorações em diversas outras culturas. Ou seja, a comemoração do nascimento de JC nada mais é do que uma reciclagem de idéias mais antigas. Mas isso não é novidade, todos nós sabemos, e nem tira o aspecto simbólico da data… Afinal, há o “espírito natalino”…

Porém… é realmente necessário definir um dia do ano pra celebrar o amor e a bondade entre as pessoas? O amor e a bondade entre as famílias? O amor e a bondade entre amigos?  amor e a bondade entre estranhos? Esses sentimentos não deveriam ser celebrados e praticados no nosso cotidiano? Se já fazemos isso, qual a necessidade de uma data especial? Se não fazemos, reservar um dia do ano pra isso não soa como uma certa hipocrisia? Assim, o tal “espírito natalino”, pra mim, não faz o menor sentido.

Milhões de judeus ao redor do mundo não comemoram absolutamente nada nessa data. Bilhões de mulçumanos também não. Tampouco bilhões de hindus. E por aí vai. Algo errado nisso? Lógico que não! Ninguém em sã consciência questionaria as crenças divergentes dessas outras pessoas não-cristãs. Todas são válidas.

Mas e no caso de pessoas que vivem em uma sociedade majoritariamente cristã, mas que não acreditam na existência de divindades de qualquer tipo? Como a grande massa das pessoas vê a não comemoração do natal pelos ateus e os agnósticos? Por experiência própria eu digo: não somos vistos com bons olhos… rola um certo ar que beira o preconceito. Há um estranhamento. Existe uma vontade de criticar. Tenho ouvido isso esses dias.

Amadureci e consolidei meu ateísmo nesse ano que passou. E, obvio, já recebi uma pergunta que vinha esperando com a aproximação do fim de ano: Um ateu comemora o natal?

Ora, por que não? Claro que não estarei comemorando o “nascimento” de JC, pois assim como judeus, muçulmanos, hindus, budistas, etc, não sou cristão e não vejo sentido nessa comemoração.

Então, o que fazer? Simples, já que não dá pra fugir dessa festa (e nem acho necessário, pois gosto de festas), aproveitarei que o natal coincide com a época do fim de ano e farei dessa festa mais uma comemoração de um ano que acaba. O natal passa a ser, na minha visão, um dia (ou dois, 24 e 25) pra comer e beber bem, passar um tempo com entes queridos, distribuir e ganhar presentes. Afinal, comemorações são sempre bem vindas. Enquanto quase todos a minha volta estarão comemorando a data escolhida a dedo para o nascimento de um personagem mitológico, eu estarei “apenas” comemorando uma boa comida, uma boa bebida e o prazer das companhias queridas e de dar e receber presentes.

Algo errado nisso?

Em tempo. Calendários são apenas convenções sociais. Até 1582, vivia-se sobre o calendário juliano (http://pt.wikipedia.org/wiki/Calendário_juliano), substituído pelo calendário gregoriano (http://pt.wikipedia.org/wiki/Calendário_gregoriano), atualmente em vigor nos países ocidentais. Mas, sabemos que muçulmanos, judeus, chineses, têm calendários diferentes. Sobre o calendário juliano (utilizado hj apenas pelos cristãos ortodoxos), cabe ressaltar uma pequena curiosidade: a Inglaterra e suas colônias, ao contrário dos demais países ocidentais, viveram sob esse calendário até 1752. Dessa forma, em 25 de dezembro de 1642 (calendário juliano) nasceu Sir Isaac Newton. Quem sabe eu não resolva utilizar o simbolismo da data para celebrar o nascimento de um dos homens mais importantes da história humana?

Bom fim de ano a todos!

9 Respostas para “Um ateu e o natal

  1. Fera, eu costumo dizer que é o Dia da Coca-cola, já que o papai-noel vermelho foi popularizado pelas campanhas publicitárias da mesma. (repare que sempre tem grandes “carreatas” coca-cola no Natal).

  2. Chefe, tendo muito a concordar contigo… ainda que não tenha eu nenhuma convicção… nem ateu, nem religioso. Nem simpatizante, nem desinteressado.
    Mas a comemoração do natal, tal como a percebo atualmente? Uma grande hipocrisia. Uma bobagem. A celebração do consumismo, a orgia do capital. Uma “presentorréia” sem fim.
    Daqui a pouco vão dar um jeito de encaixar o velho barrigudo de barbas longas e traje vermelho ao lado de JC nos presépios… putz…Sai a vaquinha (vilã do clima e culpada pelo aquecimento global) e entra Santa Claus by USA, (o “bom” velhinho)… ahhh… para PQP!!!

  3. Caro, .^.dkn.^., não há como negar que a coca-cola é uma das marcas de maior sucesso no mundo. A influência nas culturas ao redor do mundo é enorme.
    Mas nao há como negar que uma coca beeeemmm gelada em um dia de calor, às vezes, desce melhor do que água. (Provavelmente essa minha declaração deve ter sido influenciada pr anos de propaganda televisiva).

  4. Pois é Chefe Marcone.
    Da forma como vejo o natal hj, não me oponho ao carater consumista da data.
    Gosto de receber presente. Gosto de dar presente. E pra mim o natal é isto: mais uma data do ano para dar e receber presentes.
    É consumismo? Sim. Mas não podemos esquecer que consumo significa produção de bens, que significa geração de empregos, diretos e indiretos, temporários e permanentes, no comérico, na indústria ou em diversas outras áreas.
    Viva o natal como fonte de mais-valia!!!!!!!

  5. Quando escrevi sobre o Natal lá no Caneca Orbital, falei mais sobre as convenções sociais que envolvem o espírito natalino de paz-amor-fé-esperança-luz-e-união. (lembra daquela vinheta medonha do SBT? hehe)

    É claro que o lado festivo da coisa é muito bom! Mas gostaria que as pessoas passassem a observar esses preceitos pseudo-sazonais e adotassem isso como uma constante para o ano todo.

    E viva a Coca-Cola!🙂

    – – –
    O vídeo do JC que falei:
    http://bit.ly/1aACLb

  6. Pingback: Celebremos a vida « No Lado Escuro da Lua

  7. Cara…ótimo post…e penso bem parecido…não importa o cunho religioso que isso possa ter…o que importa é a farra…no feriado…este ano enquanto a minha mãe tava preocupada para ir acender velas pros mortos…eu fiquei em casa montando uma PC para jogar retrogames e acho que foi muito útil o meu dia de finados. Afinal agora posso matar a saudades dos meus melhores games da infância e me divertir com meus amigos vivos.

  8. Ótimo post!!Valeu cara!!

  9. Muito boa a definição sobre o assunto . Ter lido isso, acrescentou muito para formular um pensamento mais simples e prático e sem ofender os cristãos que comemoram a data com um sentimento religioso .

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