Primeiro Dia na Bahia

Após quase 24h na estrada, eis que surge a primeira história desta semana baiana. Assim que saímos de Eunápolis-BA, um grupo de trabalhadores Sem-Terra fechou a estrada com uma barricada, bem na frente de nosso bus. Eram 15h30min e a previsão de chegada a Ilhéus seria por volta de 19h, de onde eu pegaria outro coletivo pra Itacaré, aonde chegaria umas 21h. Foi uma tremenda falta de sorte, pois meio minuto antes teríamos passado sem essa… Fiquei extremamente preocupado, pois o último onibus do dia para Itacaré sairia de Itabuna as 20h (chegando a Ilheus as 20h30min, aprox.), e como essas ações costumam demorar um pouco, achei que minha chegada a Itacaré estava ameaçada.

Apesar do aparente “estorvo”, foi interessante perceber as reações dentro do bus. Inicialmente a maioria das pessoas começou a se deseperar, a chorar e a lamentar. Estavam cheias de medo. Achavam que seríamos saqueados, assaltados, agredidos. Poucos minutos depois de pararmos, um representante do movimento foi passando de veículo em veículo, explicando o motivo do protesto e garantindo que não haveria nenhum tipo de ação contra qq pessoa. A partir daí, tudo se tranquilizou. Todos descemos do onibus, algumas pessoas foram conversar com alguns manifestantes, uma das passageiras deu a dica para umas meninas que estavam passando com facões na mão: “seria bom se vcs trouxessem um cafezinho pro pessoal aki”… logo depois vieram as meninas com uma garrafa térmica e vários copos e xícaras, vendendo a dose generosa de café a R$1,00. Claro que acabou em poucos minutos.

O mais interessante foi ver as mesmas pessoas que estavam morrendo de medo no inicio, cantando e dançando no ritmo dos manifestantes… Aproveito até para transcrever 4 versos entoados pela multidão do MST e pelos passageiros do nosso bus:

“Che, Zumbi, Antonio Conselheiro; na luta por justiça somos todos companheiros”

“Enquanto houver fome e guerra, o MST vai lutar por terra”

“Polícia é pra ladrão. Queremos terra e pão” (essa foi em homenagem aos policiais que lá chegaram)

E tinha tb o coro das crianças:

“Brilha no céu a estrelinha do Che, nós somos sem-terrinhas do MST”

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