Cidade Maravilhosa, pra quem?

A população do Rio de Janeiro, principalmente a de baixa renda, sofre há anos os efeitos do descaso e do abandono do poder público. A violência nas favelas e nas periferias da Cidade Maravilhosa atingiu, já há algum tempo, níveis absurdos.

As pessoas que vivem nesses locais têm de viver em permanente estado de alerta, visto que os constantes combates entre facções rivais de traficantes, ou entre estes e a polícia, transformaram essas comunidades em verdadeiras praças de guerra.

Algum tempo atrás, uma nova ameaça passou a rondar as famílias e os comerciantes das comunidades pobres: as milícias. Formadas, majoritariamente, por policiais ou ex-policiais, essas milícias apareceram no cenário com a promessa de livrar as comunidades do domínio dos traficantes, supostamente atuando na segurança das pessoas e do comércio, da forma como o Estado deveria atuar. Entretanto, o que ocorreu foi a substituição de um grupo criminoso por outro, pois essas milícias cobram pela suposta proteção fornecida, extorquindo a população e os comerciantes. Em alguns casos, passaram a comandar o tráfico de drogas nessas regiões, seja se aliando às quadrilhas de traficantes, seja tomando o lugar destas no comando.

Agora, mais um golpe em uma população já tão sofrida. Integrantes do exército que faziam a segurança de obras do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento – no Morro da Providência detiveram três jovens e os entregaram a traficantes do Morro da Mineira, estes rivais dos traficantes da Providência.  Os três jovens foram barbaramente torturados e mortos pelos bandidos.

Não interessa saber se as três vítimas eram estudantes, trabalhadores, ou se estavam envolvidos com atividades criminosas. O que realmente assusta é a atitude dos militares. Eles detiveram três pessoas, entraram em contato com bandidos de uma favela rival, combinaram um encontro e entregaram os três rapazes para a morte certa. É essa a atuação que se espera de um integrante de uma das Forças Armadas Brasileira? É essa a atitude que se espera de um ser humano? Qual o nível de perversidade existente na cabeça de uma pessoa dessas?

Uma ínfima parcela dos moradores das favelas é ligada ao tráfico de drogas e outras atividades criminosas, porém é capaz de tornar a vida de milhares de pessoas um inferno. E o próprio Estado, que deveria garantir a segurança de todos os seus cidadãos, contribui para o clima de guerra instalado nesses locais. A repressão é, sim, necessária; contudo, não é capaz de resolver o problema, pois não atua na raiz das causas, que é a ausência quase total dos serviços que o poder público deveria prover a essas comunidades.

E a solução, se esta vier, somente será efetivada no longo prazo, pois o que ocorre atualmente é resultado de 500 anos de história. Portanto, se algo não for feito a partir de agora, deixar-se-á um Rio de Janeiro cada vez mais perigoso para as futuras gerações.

 

5 Respostas para “Cidade Maravilhosa, pra quem?

  1. Aêh!!!!
    Mais um cidadão da blogosfera!🙂
    Sou novato por aqui também, mas: Bem vindo.
    Abraço e que possamos fazer comentários e atualizar os blogs com alguma freqüência!

  2. Aeee Sayd,

    parabéns pelo Blog… vou visitar sempre que possível …

    Abraços

    Mário Netto

  3. Parabéns, Alex! Vc é um cidadão, no melhor sentido da palavra. Continue publicando textos assim. Além de escrever muito bem, nos mostra seu lado humanitário. O Brasil precisa disto!

  4. Ellen Ady de Almeida Cesário

    Alex,

    Você tem o perfil do jornalista crítico. Ótimo esse artigo de opinião.

  5. Rio é uma cidade perdida
    Rio de Janeiro = Gotham City
    Toda semelhança não é mera coincidência!

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