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Quanta contradição!

Não entendi bem as declarações do arcebispo metropolitano de São Paulo, Dom Odilo Pedro Sherer, que segundo notícia publicada no site do Paulopes declarou em entrevista ao programa Roda Viva de ontem (26/03) que a retirada de símbolos religiosos (leia-se: crucifixos) dos prédios da justiça gaúcha, determinada pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), foi uma “ofensa” à Igreja Católica e que “houve constrangimento”, além de ter sido criado “um problema que não havia”.

Claro que não me surpreenderam esses trechos do que ele falou. Isso já seria esperado de alguém na posição dele, dada outras declarações que vêm sendo proferidas por representantes ou simpatizantes da doutrina católica, inclusive lançando mão de um argumento furadíssimo e extremamente falacioso: que os crucifixos não deveriam ser retirados por fazerem parte da tradição e da história do país. É incrível como conseguem bater nessa tecla defeituosa. Como bem escreveu o Daniel Sottomaior em irônico artigo para o site Sul21 (por favor, só leia se for capaz de identificar ironia em um texto), tradição não é eternidade.

O que me espantou mesmo foi a evidente contradição quando consideramos outras coisas que ele falou sobre o assunto.

Além de ter dito o que está escrito acima, o arcebispo afirmou, segundo a notícia do Paulopes, que “o Estado é laico” (isso é óbvio) e reconheceu que a Igreja não pode “pretender exigir” a presença de seus símbolos nos tribunais (outra obviedade).

Ora bolas, só eu vejo incoerência nessas declarações? Será que o arcebispo, inteligente, estudado e culto como deve ser não percebe a besteira que se tornam suas declarações quando colocadas lado a lado?

Parece-me que há uma venda tão espessa diante dos olhos do arcebispo, provocada pela necessidade de defender a qualquer custo um privilégio de sua organização religiosa, que deve ser difícil para ele não criticar essa decisão do TJRS, mesmo que não tenha qualquer argumento válido para a crítica.

Vitória da laicidade do Estado no Rio Grande do Sul

Resguardar o espaço público do Judiciário para o uso somente de símbolos oficiais do Estado é o único caminho que responde aos princípios constitucionais republicanos de um estado laico, devendo ser vedada a manutenção dos crucifixos e outros símbolos religiosos em ambientes públicos dos prédios”

As sábias palavras acima foram proferidas pelo Desembargador Cláudio Baldino Maciel, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), relator da matéria que julgou nesta terça-feira, 06/03/2012, procedente o pedido da Liga Brasileira de Lésbicas e de outras entidades sociais sobre a retirada dos crucifixos e símbolos religiosos nos espaços públicos dos prédios da Justiça gaúcha. Por incrível que pareça, a decisão foi unânime.

O Desembargador afirmou ainda que julgamentos feitos em um tribunal sob um expressivo símbolo de uma religião e sua doutrina não parece ser a melhor forma de se mostrar o Estado-juiz equidistante de valores em conflito.

Deixo aqui meus parabéns ao relator e aos demais integrantes do TJRS por entenderem o verdadeiro significado do respeito ao Estado laico.

Fonte da notícia: http://www.tjrs.jus.br/site/imprensa/noticias/?idNoticia=172854

Inegociável deveria ser a liberdade das mulheres sobre seus corpos

Recentemente a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)  enviou uma carta à Presidenta da República criticando a posição da nova ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, que, no passado, defendera publicamente a ampliação dos casos em que o aborto seja praticado de forma legal.

Obviamente, a CNBB está em seu direito de se manifestar sobre um assunto que considere importante, e como todos sabemos a posição oficial da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) é clara sobre esse assunto: posiciona-se contra qualquer ampliação dos casos em que o aborto é permitido no Brasil. Há até setores que defendem que os casos atualmente legalizados sejam criminalizados (gravidez decorrente de estupro e se não há outro meio de salvar a vida da gestante). Todavia, uma declaração do presidente da CNBB, Raymundo Damasceno Assis, chamou-me a atenção. Após reafirmar que sua igreja “defende sempre a vida”, a qual ele entende como sendo desde a concepção até a morte “natural”, ele declarou que essa é “uma questão inegociável”.

Essa declaração do representante da ICAR é, se analisada atentamente, um verdadeiro acinte à laicidade do Estado brasileiro. Em um Estado laico, como deveria ser o Brasil, política e religião não deveriam se misturar. O Estado não se intromete nas religiões, garantindo a autonomia, a liberdade de crença, culto e posicionamento filosófico, o que faz-se muito bem no Brasil, por sinal. E em contrapartida as instituições religiosas não deveriam interferir nas políticas públicas, entretanto infelizmente não é isso o que vemos em temas como a legalização do aborto, a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, e outros. O que dom Raymundo parece não perceber ao declarar que a “defesa da vida” por parte de sua igreja é “inegociável” é que, na verdade, a ICAR ou qualquer outra denominação religiosa, como as dezenas de igrejas evangélicas que detém hoje um considerável poder político, sequer deveriam achar que têm o direito de “negociar” qualquer coisa no que se refere a decisões de políticas públicas. Se o Estado é constitucionalmente separado das religiões, um não interfere no quadrado do outro. Simples assim.

Vejam bem, ninguém quer obrigar ninguém a ser a favor da legalização do aborto em quaisquer casos que a mulher decida e, claro, até uma determinada idade gestacional, por exemplo, 12 semanas, se formos considerar a legislação de outros países socialmente mais desenvolvidos. A ICAR e as dezenas de igrejas evangélicas, bem como suas ovelhas, continuarão com seu direito inegociável (aí sim a palavra fica bem aplicada) de serem oficialmente contra. O que estas não podem (ou não poderiam) fazer é querer impor as suas crenças ao total da população do país.

Ademais, ressalte-se que essa posição oficial da ICAR e de outras igrejas cristãs passa longe da realidade de uma parte dos seus fiéis. Dou como exemplo a corajosa ONG Católicas pelo Direito de Decidir e a ampla pesquisa realizada pela Universidade de Brasília, a qual constatou que das mulheres pesquisadas que abortaram, 88% tinham alguma religião, sendo que 65% eram católicas e 25% eram protestantes.

O título deste texto é um pequeno recado aos representantes das religiões que, infelizmente, têm conquistado um poder político que põe em risco a incipiente e capenga laicidade do Estado brasileiro: Inegociável são a liberdade e autonomia totais das mulheres sobre os seus corpos.

Fontes:

Estadão

Católicas pelo Direito de Decidir

UnB Agência

Alguém está realmente surpreso?

Tenho visto, ouvido e lido nas últimas semanas diversas manifestações de surpresa e espanto quanto aos problemas que vêm ocorrendo devido às chuvas, em especial no caso de Minas Gerais, estado no qual resido. E aí, eu me pergunto: qual o motivo de tanto espanto?

Claro que a quantidade elevada de água que vem caindo nas tempestades de verão (que se iniciaram ainda na primavera) ultrapassou um bocado a curva média, como não cansam de falar meteorologistas televisivos e políticos regionais e nacionais. Porém, diante do fato óbvio de que chove muito nesta época do ano, e tendo em vista o rápido crescimento, quase sempre desordenado e em boa medida irregular, de várias regiões urbanas ao longo do tempo, como ficar surpreso com os problemas que se repetem neste verão se as medidas que deveriam ser tomadas pelo poder público praticamente inexistem (ou pelo menos são quase completamente ineficientes)?

Como bem escreveu o jornalista Leonardo Sakamoto em seu blog no texto “Pena que a memória dos eleitores seca rápido”:

“Desgraça é desgraça, descaso é descaso. Desgraças acontecem, mas parte delas poderia ser prevenida, planejada, antecipada, informada, pois não são novidade. Nesses casos, o que é tragédia vira descaso”

E mais à frente em seu texto:

“Ano vem, ano vai – e é sempre a mesma coisa. Administradores públicos reclamando que não daria para fazer nada porque a chuva resolveu cair toda de uma vez, culpando La Niña, El Niño, o calendário Maia…

E se choveu mais do que deveria, não há nada que se possa fazer, correto? Bem, isso se, há muitos anos, já não fosse típico a realidade de chuvas atípicas em certas regiões do país.”

É claro que não adianta culpar somente aqueles que atualmente ocupam as prefeituras, os governos estaduais e os centros do governo federal, pois há toda uma história de descaso construída durante anos de politicagem eleitoral em que o objetivo maior de políticos é se eleger, re-eleger ou fazer seu sucessor. Nesse cenário, de que importam ações, obras, programas e estratégias que só terão visibilidade uma vez por ano? Como tomar atitudes extremamente impopulares quanto à organização do espaço urbano? Como planejar a médio e longo prazo se não há pessoal capacitado (ou motivado) para isso?

No trecho a seguir, retirado deste texto do Correio Braziliense, divulgado no site do Ministério do Planejamento, há um questionamento parecido:

“se boa parte das cidades atingidas são construídas em áreas de risco, por que não se tomam medidas capazes de prevenir o drama das chuvas? Uma das respostas é a falta de planejamento. Trata-se de traço da cultura brasileira. Governantes se sucedem, partidos deixam o poder e a ele voltam tempos depois, mas o cenário se repete com indescritível falta de criatividade. Todos parece verem a tragédia pela primeira vez, como se estivessem diante de fatalidade contra a qual nada pudessem fazer.”

E assim começaram as promessas e os planos, mas será que veremos, neste ano eleitoral, algo além de medidas paliativas e implantação de sistemas de alerta?

Retomando o texto do Sakamoto citado acima, destaco um trecho que exemplifica ações que deveriam estar no topo das prioridades políticas:

“políticas de habitação decente, saneamento, dragagem de rios, limpeza de vias, campanhas de conscientização quanto ao lixo. O fato é que ocupação irregular, planejamento, plano diretor, reforma urbana são expressões ouvidas apenas no tempo das chuvas. Na seca, evaporam do léxico não só dos mandatários, mas também de pobres e ricos, que continuam construindo, desmatando e poluindo. Suas razões são diferentes, mas o efeito é o mesmo. Vale lembrar que tudo isso dito aí em cima não gera um voto, pelo contrário: quem é o doador que vai ficar feliz por ter a construção de sua casa em uma área de preservação ambiental embargada?

Considerando que quando há um problema urbano os mais pobres são expulsos do lugar onde estavam para um lugar perto da esquina entre o ‘não me encha o saco’ com o ‘não me importa aonde’, é de se esperar também que a remoção deles de áreas de risco e de locais inundáveis também seja precedida de grandes protestos que irão reverberar nas urnas. Então, ninguém faz nada, só promete e faz cara de preocupado e de entendido. Afinal, é de palavras vazias que vive nossa política.”

Claro que não espero ver qualquer tipo de revolução nas políticas públicas tão cedo (se é que vou chegar a ver algum dia), pois as eleições no Brasil continuam sendo um grande circo onde o que menos importa na fala dos candidatos é a apresentação de programas e planejamentos efetivos de médio/longo prazo. Infelizmente, o que eu acho que acontecerá ainda nos próximos anos são reprises do que acontece neste verão, do que aconteceu ano passado e em outros anteriores. Novamente citando o texto do Sakamoto:

“continuaremos a ver as cenas de sempre: alguém será levado pela correnteza e famílias perderão tudo, sendo alojadas em ginásios de escolas públicas. Vão ganhar espaço na mídia, mas o debate vai durar só até o asfalto secar.”

Declaração de voto

Faço questão de declarar meus votos antes do último debate deste primeiro turno.

Talvez o assista, talvez não. Não assisti aos programas no horário eleitoral. Hoje em dia temos disponíveis diversas mídias para buscar e consolidar informações, e os teatros montados nesses dois tipos de programa só me causam sono.

Abaixo meus votos para este domingo.

(Os diversos links consistem em exemplos com os quais concordo em maior ou menor grau)

Meu voto para presidente vai para Dilma Rousseff.

Eu poderia gastar linhas aqui para justificar meu voto, todavia muita gente bem melhor do que eu já falou sobre o assunto e, em geral, concordo com o que já foi escrito sobre os motivos para se votar na Dilma e na continuidade do projeto do PT para o país, sendo assim não vejo motivos para ficar repetindo as mesmas coisas. Abaixo alguns textos:

Por que votarei em Dilma Rousseff

Declaração de voto

Dilma na Época: Essa é a melhor carta que vocês têm?

Falta pouco: Declaração de voto

E claro, contra todo o terrorismo que se tentou fazer nesta eleição (2002, deja vù), este link.

Para governador, depois de muito pensar, acabei decidindo pelo voto na parceria Hélio Costa+Patrus.

Me agrada 100%? Não.

Mas nenhum candidato me agrada 100%. Alias, nenhum ser humano neste planeta, que existe ou já existiu, agradar-me-á 100%. E este texto me ajudou bastante com essa questão, e cito um trecho dele para ficar bem claro:

“Se for pra pensar em termos de “até aqui pode / a partir daqui vendeu a mãe”, deixou-se de fazer política, que é negociação e cálculo de custo-benefício o tempo todo. Com base nisso, tenho tentado pensar as alianças políticas de forma totalmente diferente. Em vez de criticar o PT por fazer alianças com – que nojo! – os Sarney, eu posso deixar o meu nojo (de resto, perfeitamente legítimo) de fora desta discussão e colocar as seguintes questões: o que o PT ganha em aliar-se com coronéis? O que (quem) perde? Está realmente ganhando mais do que perdendo? Ou seja: em vez de nojo, raiva ou outras emoções devidamente explicadinhas numa Veja perto de você, custo e benefício, simplesmente. Interesse. Jogo de forças. Poder. Assim, baseada nas respostas a estas questões, eu posso até criticar a aliança – mas sem precisar recorrer ao “monopólio da moral” (apud @iavelar) que tantos candidatos de direita insistem em reivindicar para si.”

Certo estou de que não quero a continuação do governo do PSDB no meu estado, um governo autoritário, que dá banana para a liberdade de imprensa, não dialoga com os setores populares da sociedade e que, a meu ver, não valoriza o servidor público como deveria.

Para senador, voto no Pimentel e no Zito.

Pura e simples coerência lógica, no sentido de acreditar no governo Dilma Rousseff e de saber a importância de uma sólida base de apoio nessa casa do Congresso. Além disso, sabemos que uma das vagas já está garantida para um oposicionista, o ex-governador Aécio Neves (aquele do governo autoritário, que dá banana para a liberdade de imprensa, não dialoga com os setores populares da sociedade e que, a meu ver, não valoriza o servidor público como deveria).

Para Deputada Federal, vou de novo na Jô Moraes, como fiz há 4 anos (e a 8 anos para deputada estadual).

Para Deputado Estadual, escolhi Carlin Moura, companheiro de partido da Jô Moraes e que me parece ser um parlamentar bem atuante.

É isso.

Bons votos a todos.

Contra a mentirada

Estou cansado de receber emails com supostas (e muito mentirosas)revelações bombásticas contra a candidata Dilma Rousseff, todas facilmente refutadas e desmascaradas.

Já tentei simplesmente ignorar, mas não consigo. Sempre gasto alguns minutos para responder à altura, afinal, como diz a 3º Lei de Newton, “A toda ação há sempre uma reação oposta”.

E agora ficou ainda mais fácil, graças ao blog “Seja Dita Verdade“, que publicou a relação de mentiradas abaixo.

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“TODOS OS EMAILS FALSOS SOBRE DILMA ROUSSEFF”

Para facilitar a divulgação nesta última semana de campanha, fiz uma compilação dos emails falsos que circulam nesta campanha sobre Dilma Rousseff e seus respectivos desmentidos. Cada link remete ao leitor ao texto em questão. Espalhem, é importante:

A morte de Mário Kosel Filho: http://migre.me/1pfAb

A Ficha Falsa de Dilma Rousseff na ditadura http://migre.me/1pfCc

O porteiro que desistiu de trabalhar para receber o Bolsa-Família http://migre.me/1pfEJ

Marília Gabriela desmente email falso http://migre.me/1pfSW

Dilma não pode entrar nos Estados Unidos http://migre.me/1pfTX

Foto de Dilma ao lado de um fuzíl é uma montagem barata http://migre.me/1pfWn

Lula/Dilma sucatearam a classe média (B) em 8 anos: http://migre.me/1pfYg

Email de Dora Kramer sobre Arnaldo Jabor é montagem http://migre.me/1pfZH

Matéria sobre Dilma em jornais canadenses é falsa: http://migre.me/1pg1t

Declarações de Dilma sobre Jesus Cristo – mais um email falso: http://migre.me/1pg2F

Fraude nas urnas com chip chinês – falsidade que beira o ridículo: http://migre.me/1pg58

Vídeo de Hugo Chaves pedindo votos a Dilma é falso: http://migre.me/1pg6c

Matéria sobre amante lésbica de Dilma é invenção: http://migre.me/1pg7p