Não diria que não gostei do filme Xingu, até achei bem interessante, porém eu esperava mais.
Considero que a história dos irmãos Villas-Bôas daria mais de um filme grandioso, com roteiros mais elaborados que contassem com mais detalhes o convívio deles com as tribos. Imagino que tudo o que aquelas pessoas viveram juntas poderia ser contato de forma mais extensa, com mais envolvimento dos personagens e desenvolvimento das histórias, construindo-se o que poderia ser uma verdadeira saga cinematográfica.
Entendo que essa não foi a proposta do filme dirigido por Cao Hamburguer e roteirizado por ele, Elena Soarez e Anna Muylaert; por isso, dentro do roteiro enxuto apresentado, posso dizer que, a meu ver, a história foi bem contada, pois prendeu minha atenção durante toda a projeção.
Incomodou-me um pouco o trabalho de maquiagem referente ao envelhecimento dos Villas-Bôas; entre o início do filme e seu ato final, em que se passam mais de 20 anos, vi pouquíssima diferença na caracterização dos atores, em especial no caso de Cláudio Villas-Bôas (achei um pouco melhor trabalhada no caso do Orlando).
E teve uma cena em particular que me chamou muito a atenção, na verdade um quadro em especial, que foi o close mostrando a expressão do cacique da primeira tribo contatada face a face por Oralndo e Cláudio. O que eu vi ali foi uma interpretação emocionante de movimentos de cabeça e olhos e expressão facial que mostrava de uma forma impressionante o que o cacique estaria pensando aquela hora, algo como: “e agora?”, “fudeu?”, “o que está acontecendo?”, “quem são esses?”, “devemos atacar ou não?” e, principalmente, “o que acontecerá daqui pra frente?”.




